Terreiro de Candomblé é depredado em Araruama

Um terreiro de Candomblé em Iguabinha, distrito de Araruama, foi invadido e depredado no fim de semana. A ocorrência foi registrada na delegacia em 4 de novembro de 2026.

Frequentadores descobriram os danos na segunda-feira, 2 de novembro, após voltarem de um evento religioso realizado fora da casa. Segundo integrantes do terreiro, o espaço estava em situação normal na última visita antes do episódio.

O pai de santo Alexandre de Oxalá e a filha de santo Dirce Castro estão entre os integrantes que relataram a invasão. Lideranças religiosas de Araruama também mencionam ocorrências em outros terreiros do município.

invasão a terreiro de Candomblé

O caso ampliou a preocupação do Coletivo de Terreiros de Araruama com a violência contra religiões de matriz africana. O Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registra denúncias no estado do Rio de Janeiro, mas não apresenta dados municipais de Araruama para 2026.

Integrantes relatam danos em diferentes áreas do terreiro

Dirce Castro, filha de santo da casa, relatou que a porta da cozinha foi arrancada, embalagens de alimentos foram rasgadas e a comida acabou espalhada pelo espaço. Móveis também foram deslocados e quebrados, mas, segundo ela, nada foi levado.

Alexandre de Oxalá acredita que os invasores entraram pelos fundos do imóvel, em um ponto que não é alcançado pelas câmeras de uma escola e da subprefeitura instaladas em frente ao terreiro. Ele disse que a porta da cozinha foi forçada e deixada do lado de fora.



Além da cozinha, os frequentadores encontraram assentamentos quebrados, armários abertos e louças danificadas. Alexandre também relatou que a porta do barracão foi forçada e que o sabaji, cômodo localizado dentro dele, foi revirado.

De acordo com o pai de santo, roupas foram retiradas das araras e malas dos filhos de santo foram abertas, sem que objetos fossem furtados. Alexandre interpreta a invasão a terreiro de Candomblé como intimidação e suspeita de intolerância religiosa, mas a motivação ainda não foi confirmada.

Lideranças citam outros casos e dados sobre denúncias de intolerância religiosa

O Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 329 denúncias de violações da liberdade religiosa ou de crença no estado do Rio de Janeiro entre janeiro e outubro de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram 329 registros, quatro deles em Araruama; para 2026, o painel não apresenta números do município.

Lideranças também mencionaram que outro terreiro de Candomblé em Iguabinha teria sido invadido nas semanas anteriores. Em julho, uma casa de Umbanda no bairro Areal, também em Araruama, teve o altar incendiado.

Glaucia Azevedo, Ajoyê e Ekeji do Ilê Asé Opó Aganju e representante do Coletivo de Terreiros de Araruama, afirmou que algumas casas começaram a adotar medidas de segurança. Entre elas, citou o pedido de wi-fi e câmeras feito pelo Ilê Axé Opó Obebomim, do pai Arilson Lisboa, em Iguabinha.

O coletivo orienta mães e pais de santo a registrar boletins de ocorrência e guardar fotos e vídeos das ocorrências. Glaucia afirmou que, na avaliação dela, terreiros de Candomblé e Umbanda estão entre os alvos da violência religiosa; a Polícia Civil ainda não havia respondido ao pedido de informações sobre os casos e as investigações.



Deixe um comentário