Um terreiro de Candomblé em Iguabinha, distrito de Araruama, foi invadido e depredado no fim de semana anterior a 2 de novembro de 2026. Nenhum objeto foi levado do local, segundo integrantes da casa.
Fiéis descobriram os danos na segunda-feira, 2 de novembro, após voltarem de um evento religioso realizado fora do terreiro. O caso foi registrado na delegacia em 4 de novembro.
O pai de santo Alexandre de Oxalá e a filha de santo Dirce Castro estão entre os religiosos que relataram a ocorrência. A casa fica na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro.

A suspeita de intolerância religiosa é levantada pelas lideranças, enquanto a motivação da invasão não foi confirmada. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 329 denúncias de violações à liberdade religiosa ou de crença no estado entre janeiro e outubro de 2026; o painel não apresenta dados de Araruama para esse período.
Danos encontrados no terreiro e registro da ocorrência
Em 31 de outubro, Alexandre de Oxalá esteve no terreiro e, segundo integrantes da casa, não encontrou problemas. Esse relato situa a última visita mencionada antes de os danos serem percebidos pelos frequentadores.
Na cozinha, a porta foi arrancada e alimentos ficaram espalhados. Móveis foram quebrados e objetos, revirados.
Os danos também atingiram o barracão e um cômodo utilizado pelos religiosos. Alexandre considera possível que os invasores tenham entrado pelos fundos do imóvel, em um ponto fora do alcance das câmeras próximas.
Suspeita de intolerância e denúncias de violações religiosas no estado
Alexandre afirmou sentir-se desprotegido e atribuiu a invasão à intolerância religiosa: “Foi intolerância religiosa”. Dirce Castro, filha de santo, relatou que uma frequentadora encontrou a cozinha destruída por volta das 18h.
Em 2025, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos contabilizou 329 denúncias de violações à liberdade religiosa ou de crença no estado do Rio de Janeiro entre janeiro e outubro. Quatro dessas denúncias foram registradas em Araruama.
Lideranças locais também relataram outras invasões a terreiros em Iguabinha. Em julho, um altar de Umbanda foi incendiado no bairro Areal.
O Coletivo de Terreiros de Araruama orienta que as ocorrências sejam registradas e documentadas com fotos e vídeos. A recomendação abrange casos de violência contra espaços religiosos, como a invasão relatada em Iguabinha.


